Certa vez no supermercado, ela ouviu: “mas você aqui? Você não está com câncer?” O desagradável comentário demonstra o quanto as pessoas ainda estão desinformadas sobre os avanços no tratamento dos tumores.
“Aquela conhecida falou comigo como se o câncer nos impedisse de ter atividades rotineiras da vida, quando, na verdade, poder sair e fazer um supermercado passa a ter um valor especial”, comenta Vera Lúcia Bernardes Rodrigues Siqueira, de 52 anos.
Hoje ela está curada de um câncer de mama que foi diagnosticado bem no início. “O tumor era ainda tão pequeno que não se podia palpar nem detectar no exame de mamografia. Pelo ultrassom é que se descobriu”, conta Vera. Sua história é mais uma prova da importância dos exames unificados que a mulher deve fazer anualmente.
Mesmo com um diagnóstico precoce, que traz ótimo prognóstico de cura, a notícia baqueou Vera no início. “Primeiro você se pergunta: por que comigo? Depois, para que em mim?” Mas o baque foi só no início. “Sabia que tinha tratamento e que eu iria fazer o necessário para me curar.”
A fé em Deus, o apoio da família e a solidariedade dos amigos ajudaram a paciente. “É claro que sentimos, mas a dor não é eterna. O tratamento, mesmo que seja doloroso, é para a sua própria vida.” Vera confiou nos profissionais e só fazia a contagem regressiva para se curar.
A paciente só ficou afastada do trabalho devido à sua profissão. “Como sou dentista, preciso das mãos e dos braços, que ficaram enfraquecidos com a cirurgia de mama. Mas fiz fisioterapia e estou de volta ao consultório.”
Atualmente, pequenas coisas com as quais se desesperava, não a abalam mais.
Pelo contrário, o detalhe de um amanhecer ganhou outro sentido. “Minha família está mais unida. Aprendemos com o câncer e hoje tenho minha segunda chance de vida.”
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